domingo, 8 de março de 2009

Não quero ser o Amyr Klink

Hoje, Dia Internacional da Mulher, tive um pensamento: não quero ser o Amyr Klink.

Admiro muito o nosso explorador solitário. Uma vez filmei uma palestra dele na convenção de uma grande empresa num resort em Santa Catarina. Fiquei realmente emocionado com os relatos de suas incríveis viagens. Quando a palestra de mais de duas horas terminou minha cabeça estava cheia de reflexões sobre perseverança, planejamento e realização.
Pensava em tudo isso enquanto me dirigia ao banheiro masculino que estava lotado. O comentário geral dos executivos e subalternos da empresa era, "pô que cara esquisito, ficar um ano sem mulher, no meio de focas, baleias e o caralho... ah, sei não..."

Pois é, vou ter que me virar pelo mundo...



L'Origine du Monde - Gustave Courbet

sábado, 7 de março de 2009

sexta-feira, 6 de março de 2009

Da Paraíba para o mundo

Em 2003 eu fui conhecer a cidade onde eu nasci: Campina Grande, Paraíba.

Nasci lá por acaso, em 1970. Meu pai e minha mãe tinham casado há pouco tempo e ele, engenheiro, foi transferido para Campina Grande, para a construção de uma estrada unindo várias pequenas cidades do Brejo Paraibano. Aí eu nasci, a estrada ficou pronta poucos meses depois, e fomos para Manaus, onde meu bravo pai foi trabalhar na Transamazônica, a estrada que leva o nada a lugar nenhum. Era a época do milagre brasileiro, quando a ditadura fez várias obras Brasil afora. Muitos filhos de engenheiros e de milicos passaram pelo mesmo que eu, nasceram em algum inóspito recanto do país e ficaram pingando de cidade em cidade pelos anos 70, sem ter qualquer laço cultural ou de parentesco com a terra natal.

Quando eu vim morar no Rio, em 1977, depois de passar por Manaus, Curitiba, Belo Horizonte e São Paulo, descobri que "paraíba" era um xingamento, pelo menos na escola burguesa e nojenta onde me colocaram. Meu irmão mais novo me chantageava: "se você me bater eu vou contar na escola que você é paraíba". Eu pensava que, com tanto lugar no mundo, era muito azar ter nascido logo na Paraíba.

O tempo passou e eu comecei a achar legal ser paraibano. Nem preciso dizer que fiquei amigo de um monte de porteiros e garçons. Cheguei a ganhar algumas apostas de gente que não acreditava que um descendente de árabes, com 1,86 metros e mais de 100 quilos pudesse ser natural da Serra da Borborema.

Havia porém uma lacuna, eu não conhecia a minha cidade natal.

Em 2003 eu ganhei um prêmio da Petrobras para fazer um vídeo de cinco minutos. O meu projeto era simples. Munido de uma pequena câmera de vídeo eu desembarquei em Campina Grande sem ter ninguém me esperando no aeroporto, sem reserva de hotel, praticamente sem nenhuma informação prévia sobre o que iria encontrar, a não ser o que eu havia coletado em uma breve entrevista com meus pais, realizada uma semana antes da partida.
Na ocasião eu perguntei para eles porque tinham ido morar em Campina Grande, qual o hospital onde eu havia nascido, quem era o médico que fez o meu parto e onde era a casa que a gente morava.
Munido dessas informações pescadas no fundo da memória de minha mãe e meu pai, 33 anos depois desembarquei em Campina Grande para uma estada de seis dias.



Quando voltei da Paraíba fiz o curta de cinco minutos para a Petrobras, já sabendo que o material gravado na viagem (17 horas ao todo) renderia um produto maior. Comecei então o processo de editar um longa-metragem.

Esta semana recebi uma boa notícia, ganhamos o edital do OI Futuro para finalização e lançamento do filme.
"O Paraíba" terá sua estréia ainda este ano.

De certa forma o processo de realização deste trabalho serviu como ponto de partida para que eu elaborasse e formatasse essa viagem de volta ao mundo.
Uma viagem solitária onde a documentação do dia a dia funde-se com aspectos psicológicos a partir da própria experiência pessoal de realizar a viagem em si.

Ah, sei lá...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Lisboa na cabeça

Encerrada a votação, com 18 votos apurados, ficou assim o resultado de nossa enquete:

Em primeiro lugar, Lisboa, com 9 votos. A capital lusitana largou na frente e venceu de ponta a ponta com 50% dos votos.

Empatadas em segundo lugar, Londres, Paris e Zagreb, cada uma com 3 votos (16,66%)

Sendo assim, seguindo o desejo da maioria, no dia 15 de abril de 2010 parto de Montreal, no Canadá, para Lisboa, assim definida como nosso ponto de entrada na Europa.


Torre de Belém. Cabral partiu de lá.
Deu no que deu...

quarta-feira, 4 de março de 2009

Estou me sentindo tão abandonado pelos meus amigos, que seu eu possuísse uma canoa e um papagaio, seria o próprio Robinson Crusoé em sua ilha.

Vinha sofrendo calado o impacto da decadência deste blog.

Primeiro o Carnaval e a óbvia queda de audiência. Meus leitores são todos uns bebuns, filhos de Baco, como eu. Graças a Deus, uma vez que não é meu intuito escrever para gente careta.

Em seguida o baque do "zero comentários".
Caralho, ninguém comenta mais nessa porra - pensei com meus botões.
Eis que me avisam que tentaram comentar e não conseguiram. Daí descubro que o blog estava com um bug que impossibilitava a postagem de comentários.

Oh, mundo...
Fiquei alugando minha analista, com a auto-estima no ralo - "ninguém me ama, ninguém me quer... escrevo para o nada e ninguém... esse blog é um fiasco, etc, etc, etc."
Quem disse que ser analista é mole. Ela fica ouvindo, acordadinha da silva - e muda, as minhas lamúrias. E olha que a última sessão que eu paguei foi em setembro...

Bem, estimados leitores e calipígias leitoras, o problema da publicação dos comentários já foi sanado.
Comentem, por favor!
Ah, e ainda faltam algumas horas para o fim da enquete popular (aí do lado, no canto superior direito da página).

O título deste post vem, eu acho, de um conto de Eça de Queiróz. Digo "acho", porque não consegui uma confirmação no Oráculo de Delfos, e se não está no Google, provavelmente não é verdade...
De qualquer forma a frase é boa, né?



Nesta gravura, Robinson Crusoé, além da canoa e do papagaio, tem também um bode.
Bééééééééééééé

terça-feira, 3 de março de 2009

Antonella



Esta é a nova habitante de minha casa: Antonella, 2 meses, vira-lata, instinto implacável de caçadora.



Sua performance com o rato de brinquedo é sensacional.

Baratas, tremei!




Falta apenas um dia para o fim do escrutínio (adoro essa palavra...) sobre o ponto de entrada na Europa.

Cidadão, vote! (aí do lado, no canto superior esquerdo da página)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Pânico no Jardim Botânico

Está fazendo um mês que me mudei para um apartamento de frente para o Parque Lage (melhor dizendo, praticamente dentro do Parque Lage), um pequena floresta no bairro do Jardim Botânico, aqui no Rio de Janeiro.

Morar perto da mata é gratificante, mas há alguns poréns. Primeiramente a umidade, uma tragédia para um alérgico-sinusitoso como eu, amenizada com a compra de um desumidificador. O outro problema são os insetos.

Na minha primeira noite aqui percebi que teria que chegar a um acordo junto aos meus indesejados visitantes invertebrados. Eu tenho pânico de praticamente todos os insetos; até mesmo uma singela borboleta pode me causar calafrios. Imagine então os seres mutantes que insistem em me fazer companhia.

Nos primeiros dias tudo transcorreu bem. Cheguei até a tirar fotos de alguns bichos escrotos com o intuito de afirmar este incrível processo de superação psicológica, como no caso da cigarra aí embaixo.




Até que ela apareceu...



Quinta-feira passada foi uma noite de extremo terror, aqui em casa.

A ameaça veio do ar, voando pesadamente com suas longuissimas antenas, qual o "Enola Gay" se aproximando de Hiroshima.

Não consegui matar a invasora.
Capitulei rapidamente, refugiando-me no quarto. Só consegui dormir após a ingestão de várias gotas de um poderoso ansiolítico.

De fato, ela sumiu... e reapareceu ontem, três dias depois. Acho que era a mesma, não posso acreditar que existam no mundo duas baratas daquele tamanho.
Aí um filha da puta vem e me diz que "barata, se não matar, fudeu. Ela põe ovos e nascem milhares de filhotes!"

Desesperado, tomei uma decisão. Arrumei um gato. Estou indo pegá-lo hoje.
Nunca tive gato antes, mas confio que terei um grande caçador convivendo comigo.
Quem sabe eu não levo ele pra Índia, Camboja, Laos, Vietnã, Tailândia, Etiópia, Angola, Nigéria, etc.?

domingo, 1 de março de 2009

Lisbon Revisited (1923) - Álvaro de Campos

Lisboa saiu na frente em nossa enquete (aí do lado, no canto superior esquerdo desta página).

Este factóide motivou-nos a prestar uma singela homenagem.



Nada me prende a nada.
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.
Fecharam-me todas as portas abstratas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.


Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.

Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...

Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O mundo é pequeno pra caramba

Tem alemão, italiano e italiana
O mundo filé milanesa
Tem coreano, japonês e japonesa

O mundo é uma salada russa
Tem nego da Pérsia, tem nego da Prússia
O mundo é uma esfiha de carne
Tem nego do Zâmbia, tem nego do Zaire

O mundo é azul lá de cima
O mundo é vermelho na China
O mundo tá muito gripado
O açúcar é doce, o sal é salgado

O mundo caquinho de vidro
Tá cego do olho, tá surdo do ouvido
O mundo tá muito doente
O homem que mata, o homem que mente

Por que você me trata mal
Se eu te trato bem
Por que você me faz o mal
Se eu só te faço o bem

Todos somos filhos de Deus
Só não falamos as mesmas línguas
Todos somos filhos de Deus
Só não falamos as mesmas línguas

Everybody is filhos de God
Só não falamos as mesmas línguas
Everybody is filhos de Ghandi
Só não falamos as mesmas línguas




"O Mundo" é uma música do meu primo André Abujamra.
Ele tem uma banda sensacional chamada Karnak.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Entrando na Europa

Prezados leitores,

Sobrevivi ao Carnaval e agora retomo o planejamento desta viagem de volta ao mundo.

Nossa rota já avançou pelas três Américas em um trajeto percorrido ao longo de 105 dias.

Saímos de Montreal, atravessamos o Oceano Atlântico e chegamos em... aonde? Sei lá...

Já imbuído do estilo easy rider que se pretende adotar na fase européia da viagem, este blog realiza mais uma enquete popular.
Explico melhor: estarei viajando pelo velho mundo por dois meses e meio, de 16 de abril - data da chegada, até 30 de junho de 2010, quando parto de Moscou rumo a Pequim.

Neste período não existirá uma rota pré-determinada dia a dia.

Aproveitando as facilidades de transporte e as pequenas distâncias entre os países do continente, pretendo passar os 76 dias em solo europeu em um ritmo muito mais solto do que em todo o resto da viagem. Outro aspecto interessante é a possibilidade de encontrar, na primavera-verão européia, um bom número de pessoas em trânsito fazendo o mesmo que eu, viajando pelo mundo.

Resumindo, as datas de entrada e saída estão definidas (16/04 - 30/06), bem como o ponto de saída (Moscou).
Falta determinar o ponto de entrada na Europa, e isso será feito a partir da sua participação, estimado leitor, na nossa nova enquete popular colocada aí ao lado, no canto superior esquerdo dessa página.
Assumo o compromisso de seguir o resultado da votação fazendo da cidade escolhida pela maioria o ponto de entrada na Europa.

A enquete está aberta a partir deste momento, extendendo-se até as 23 horas e 59 minutos do dia 04 de março de 2009.

Contamos com seu voto!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

domingo, 22 de fevereiro de 2009

sábado, 21 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Rota final (?) para a América do Norte

Chegamos ao norte da América. Nesta etapa conseguimos reduzir o período total de 43 para 41 dias, alcançando a meta de embarcar para a Europa no dia 15 de abril de 2010. Para isso, fez-se necessário cortar um dia em Nova York e outro em Toronto.

Vejamos como ficou:

No sábado, 06 de março de 2010, saímos da Guatemala em direção à Tuxtla Gutiérrez, no estado mexicano de Chiapas.

06/03 - Guatemala - Tuxtla Gutiérrez / Chiapas (México)
07/03 - Chiapas
08/03 - Chiapas
09/03 - Chiapas - Oaxaca
10/03 - Oaxaca
11/03 - Oaxaca - Cidade do México
12/03 - Cidade do México
13/03 - Cidade do México
14/03 - Cidade do México - Los Angeles
15/03 - Los Angeles
16/03 - Los Angeles - Anchorage (Alaska)
17/03 - Alaska
18/03 - Alaska
19/03 - Alaska
20/03 - Anchorage -Los Angeles
21/03 - Los Angeles - las Vegas
22/03 - Las Vegas
23/03 - Las Vegas - Salt Lake City
24/03 - Salt Lake City - Yellowstone Park, Wyoming
25/03 - Yellowstone Parl - Billings (Little Big Horn), Montana
26/03 - Billings - Rapid City (Mount Rushmore), South Dakota
27/03 - On the road to Chicago
28/03 - Chicago
29/03 - Chicago - Saint Louis, Missouri
30/03 - Saint Louis - Memphis, Tennessee
31/03 - Memphis - New Orleans
01/04 - New Orleans
02/04 - New Orleans - Washington DC
03/04 - On the road to Washington DC
04/04 - Wasington DC
05/04 - Washington DC - Nova York
06/04 - Nova York
07/04 - Nova York
08/04 - Nova York - Toronto
09-04 - Toronto
10/04 - Toronto
11/04 - Toronto - Montreal
12/04 - Montreal
13/04 - Montreal
14/04 - Montreal
15/04 - Montreal - Europa

Termina assim, 105 dias após a partida, a primeira grande parte desta viagem de volta ao mundo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Rota final (?) para a América Central

Prosseguindo nossa rota (quase...) definitiva.

Adentramos a América do sul pelo Panamá, a partir de Cartagena, Bolívia. 
Esta rota final (?) tem um dia a menos na Jamaica. Sorry, Bob...

Ficou assim:

18/02 - Cartagena - Cidade do Panamá
19/02 - Cidade do Panamá
20/02 - Cidade do Panamá - Jamaica
21/02 - Jamaica
22/02 - Jamaica
23/02 - Jamaica
24/02 - Jamaica - Cuba
25/02 - Cuba
26/02 - Cuba
27/02 - Cuba
28/02 - Cuba
01/03 - Cuba
02/03 - Cuba - Guatemala
03/03 - Guatemala
04/03 - Guatemala
05/03 - Guatemala
06/03 - Guatemala - Tuxtla Gutiérrez / Chiapas, México. 
Fim da rota pela América Central

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Rota final (?) para a América do Sul

Após algum tempo aprimorando a pesquisa de nossa rota, chegamos, finalmente, à algo que parece ser definitivo.

A América do Sul passa a ser percorrida em 49 dias, e não mais 53. Além dos quatro dias a menos, algumas mudanças estruturais. Entre elas a exclusão de Montevidéu e do cruzeiro de Ushuaia a Punta Arenas. Acabei achando que era glaciar demais para ver, uma vez que na rota ainda temos El Calafate e o Glaciar Perito Moreno, na Patagônia Argentina. Outra razão é o alto custo do cruzeiro, mais de 2000 dólares se você viaja sozinho.

Entonces, la ruta por Sudamerica se queda así:

01/01 - Rio de Janeiro - Buenos Aires
02/01 - Buenos Aires
03/01 - Buenos Aires - Ushuaia
04/01 - Ushuaia
05/01 - Ushuaia - El Calafate
06/01 - El Calafate
07/01 - El Calafate - Puerto Natales (Chile)
08/01 - Puerto Natales
09/01 - Puerto Natales - Punta Arenas
10/01 - Punta Arenas
11/01 - Punta Arenas - Santiago
12/01 - Santiago
13/01 - Santiago
14/01 - Santiago - San Pedro de Atacama
15/01 - San Pedro de Atacama
16/01 - San Pedro de Atacama
17/o1 - San Pedro de Atacama - Uyuni (Bolívia)
18/01 - Estrada para Uyuni
19/01 - Estrada para Uyuni
20/01 - Uyuni
21/01 - Uyuni - La Paz
22/01 - La Paz
23/01 - La Paz
24/01 - La Paz - Copacabana
25/01 - Copacabana
26/01 - Copacabana - Puno (Peru)
27/01 - Puno
28/01 - Puno - Cusco
29/01 - Cusco / Machu-Pichu / Cusco
30/01 - Cusco
31/01 - Cusco - Arequipa
01/02 - Arequipa
02/02 - Arequipa - Lima
03/02 - Lima
04/02 - Lima - Guaiaquil (Equador)
05/02 - Guaiaquil
06/02 - Guaiaquil - Galápagos
07/02 - Galápagos
08/02 - Galápagos
09/02 - Galápagos
10/02 - Galápagos - Quito
11/02 - Quito
12/02 - Quito - Bogotá (Colômbia)
13/02 - Bogotá
14/02 - Bogotá
15/02 - Bogotá - Cartagena
16/02 - Cartagena
17/02 - Cartagena
18/02 - Cartagena - Cidade do Panamá. Fim da rota pela América do Sul

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Montevidéu subiu no telhado



Como expliquei no post anterior, existe uma adiposidade de pelo menos sete dias na rota pelas três américas, o que faz com que eu saia de Montreal com destino à Europa somente no dia 22 de abril.

Como devo deixar o continente europeu rumo à Ásia no dia 30 de junho, eu teria apenas 69 dias no Velho Mundo. Pouco, não acham? Eu penso que o mínimo do mínimo são 2 meses e meio, no caso 76 dias, o que é possível se eu deixar o Canadá no dia 15 de abril de 2010.

Vamos começar limando, logo de cara, o primeiro destino proposto: Montevidéu.



Aí, foi mal, Montevidéu... nada pessoal...

Sendo assim, no dia primeiro de janeiro de 2010 iniciamos nossa viagem de volta ao mundo indo para Buenos Aires, Argentina.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Houston, we have a problem

É isso mesmo...

Nossa rota pelas três Américas, da maneira como está traçada atualmente, tem uma duração total de 112 dias, com a partida para a Europa prevista para 22 de abril de 2010.

Porém, para podermos ficar no continente europeu por pelo menos dois meses e meio, é preciso sair de Montreal (o último destino nas américas) no dia 15 de abril.
Isso faz-se necessário uma vez que a temporada européia termina - impreterivelmente, no dia 30 de junho, quando deixo Moscou, rumo à Pequim.

Sendo assim, esta primeira fase de nossa rota global possui uma gordura do tamanho de sete dias que precisa ser extirpada a qualquer custo.



Vamos ter que usar a lima, implacavelmente.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Esmiuçando a rota para a América do Norte - parte 3

Estamos em Nova York, no dia 10 de abril de 2010, um sábado.
Fico na cidade até o dia 14/04, quando deixo os Estados Unidos rumo à Toronto, Canadá.



Toronto é a maior cidade do Canadá. É capital da província de Ontario e sua língua predominante é o inglês.
Fico na cidade até o dia 18 de abril, quando parto para Montreal.



Montreal é meu último destino na América do Norte. É a segunda maior cidade do mundo onde a língua primordial é o francês, só perdendo para Paris.

No dia 22 de abril de 2010 deixo Montreal e a América do Norte, dando início à fase européia desta viagem, partindo para algum destino ainda não definido no Velho Continente.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Esmiuçando a rota para a América do Norte - parte 2

Chego em Anchorage, principal cidade do Alaska em 21 de Março, para uma estada de cinco dias. Ainda não sei muito bem o que fazer no Alaska. Dei uma rápida pesquisada e há muitas opções, todas meio caras. Duas chamaram minha atenção. Primeiramente uma viagem de trem até Fairbanks, mais ao norte, de onde pega-se um avião para sobrevoar o Círculo Polar Ártico. Outra alternativa interessante é uma visita à ilha de Kodiak, cuja maior atração é a vida selvagem - ursos pardos, baleias, etc.



O Alaska era um território Russo. Foi comprado pelos Estados Unidos em 1867, pelo preço de 7,2 milhões de dólares, mais ou menos 120 milhões, em dinheiro de hoje.
Os americanos se deram bem, pois o estado possui imensas reservas energéticas e minerais, sem contar o potencial pesqueiro e, claro, o inestimável valor estratégico da localização do território.

HIT THE ROAD



Em 25 de março volto a Los Angeles de onde parto, no dia seguinte, para uma viagem de carro até Nova York. Coast to coast em 16 dias.
Meu companheiro nesta pequena epopéia será o misterioso Mr. Lima, de Venice, CA.

O itinerário:



26/03 - Los Angeles - Las Vegas
27/03 - Las Vegas
28/03 - Las Vegas - Salt Lake City, Utah
29/03 - Salt Lake City - Yellowstone Park, Wyoming
30/03 - Yellowstone Park - Billings (Little Big Horn), Montana
31/03 - Billings - Mount Rushmore, South Dakota
01/04 - On the road to Chicago
02/04 - Chicago
03/04 - Chicago - Saint Louis, Missouri
04/04 - Saint Louis - Memphis, Tenesse
05/04 - Memphis - New Orleans
06/04 - New Orleans
07/04 - New Orleans - Washington DC
08/04 - On the road to Washington DC
09/04 - Washington DC
10/04 - Washington DC - Nova York



Chegamos à Nova York 16 dias e 7.832 km depois da partida de Los Angeles.
Nossa primeira missão na cidade será devolver o automóvel alugado.

Amanhã, a conclusão da Rota para a América do Norte.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Esmiuçando a rota para a América do Norte - parte 1

Vamos lá:

Saio da Cidade da Guatemala no dia 11 de março, rumo à Tuxtla Gutiérrez, capital do estado mexicano de Chiapas - no extremo sul do país, o ponto de partida para explorar as ruínas maias em Palenque, um dos principais sítios arqueológicos das Américas.



Três dias depois, em 14 de março, parto rumo à cidade de Oaxaca capital do estado homônimo.
Oaxaca possui uma atmosfera colonial, repleta de atrações históricas, além de uma renomada gastronomia.


Detalhe do preservado Zócalo de Oaxaca.
Toda cidade mexicana tem seu "zócalo", que nada mais é que a "plaza principal" da cidade.


Em 16 de março, à noite, pego um vôo para a capital, Cidade do México, para uma estada de quatro dias.




Cidade do México: a poluída megalópole pode até lembrar uma certa cidade brasileira.
Quem conhece ambos os lugares diz que a comparação é maldosa... para o México.

No dia 19 de março deixo a Cidade do México e adentro os Estados Unidos via Los Angeles, California.



Em L.A. faço um breve pit stop de dois dias para dar uma organizada geral na próxima etapa da viagem.
Mandar coisas para o Brasil, organizar as fitas e fotos, comprar roupas para o frio extremo que vou enfrentar, resolver aspectos burocráticos, etc.

No dia 21 de março embarco para Anchorage, capital do Alaska, no norte da América do Norte.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O joelho e o olho

Fiquei bom da garganta e fudi o joelho.
Suderj informa: sai o antibiótico da garganta e entra o antiinflamatório do joelho.

Olha só que merda:



O médico disse que tenho uma tendinite e que em cinco dias tô bom. Portanto, estou de molho até domingo.

Amanhã espero achar uma posição melhor para ficar na frente do computador - por algum tempo, ao menos - e poder dar prosseguimento à nossa rota para a América do Norte.

Xô, olho gordo!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Primeiro estudo de uma rota para a América do Norte

Estimados leitores,

Retomamos nossa rota, adentrando a América do Norte, uma enorme massa territorial com apenas três países.



Recapitulando:

Após a partida do Rio de Janeiro no primeiro dia do ano de 2010, passamos pelo Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Jamaica, Cuba e Guatemala.

Da Guatemala entro na América do Norte pelo sul do México e vou subindo até a capital, Cidade do México, de onde parto para os Estados Unidos, indo até Los Angeles. De L.A. pego um avião até Anchorage, a maior cidade do Alaska, no norte do continente. De Anchorage, morrendo de frio, pego outro avião de volta à Los Angeles onde, acompanhado de meu fiel escudeiro Mr. Lima, alugo um carro e vamos até Nova York - cruzando de costa a costa os Estados Unidos, em uma viagem repleta de paradas e com duração estimada de 20 dias.

De Nova York, prossigo até o Canadá, visitando Toronto e depois Montreal. De Montreal, embarco para a Europa no meio do mês de abril, encerrando o périplo pelas três Américas.


Los Angeles a Nova York em quatro minutos.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Garganta Profunda

Estou doente, com a garganta fudida.
A garganta é meu ponto vulnerável, meu calcanhar de Aquiles.
Tive algumas terríveis crises de amidalite durante viagens. A pior delas foi em 2007, quando precisei tomar uma injeção de penicilina na bunda, em Santa Cruz, California. Custou mais de 300 dólares. Tudo porque nos Estados Unidos, ao contrário do Brasil, você não consegue comprar um antibiótico sem receita na farmácia da esquina.
Aprendi. Não viajo mais sem levar Azitromicina na minha maleta de remédios.
Amanhã devo estar melhor, e poderemos iniciar a explanação de uma rota para a América do Norte.

Para entrar no clima, um trailer de "!Que Viva Mexico!", obra prima inacabada de Sergei Eisenstein.



Ah, e como não poderia deixar de ser pelo título deste post, o cartaz original de "Garganta Profunda", o blockbuster pornô de 1972, dirigido por Gerard Damiano e estrelado pela inesquecível Linda Lovelace. Talvez o filme pornô mais famoso da história.



Antes que alguém venha dar uma de engraçadinho por aqui, quero deixar claro que a causa de meus problemas nas amídalas foi uma combinação de ar condicionado com banho gelado e álcool.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Tatuagem

Hoje tomei a resolução:

Quando comprar a primeira passagem para esta viagem de volta ao mundo farei uma tatuagem em meu antebraço direito.

O mapa do mundo.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O fator Europa

Os poucos que acompanham este blog sabem que a rota desta viagem de volta ao mundo, após um início intenso e claudicante pelas Américas do Sul e Central, adentra o vasto continente norte-americano. Em seguida, uma vez concluído todo o período pelas três Américas, inicia-se a fase européia do projeto.

Viajar pela Europa é diferente de viajar por qualquer outro continente devido à quantidade e variedade de países e culturas separados por diminutas distâncias, além da disponibilidade quase infinita de opções de deslocamento entre eles. Outro fator que deve ser levado em conta é o intenso fluxo de viajantes de todas as partes circulando pelo velho mundo, o que pode vir a ser um manancial de dicas e sugestões para a complexa metade final desta viagem que engloba a Ásia, Oceania e África.

Escapando do caráter cartesiano da rota pelas Américas, com datas marcadas de chegada e partida em cada uma das localidades visitadas, o périplo pela Europa será muito mais "free style", com uma data de chegada e - dois meses e meio depois, uma data de saída do continente. Já está definida a data fatídica em que deixo a Europa: 30 de junho de 2010, exatamente no meio do ano. Neste dia, em Moscou, embarco no Expresso Trans-Manchuriano rumo à Pequim.

Seguindo este raciocínio, para dispor de dois meses e meio para a temporada européia, é necessário chegar no continente em 16 de abril. Esta data acabará determinando mudanças nos planos para as etapas inicias da viagem, uma vez que a rota pan-americana está extensa demais.

É o fator Europa.

Tudo pode mudar.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Mexico, ese desconocido...

Estimados lectores:
Después de mi periplo por Centro America, me voy rumbo al sur de Mexico.


¿Alguien tiene alguna sugerencia sobre una temporada corta aunque intensa en territorio mexicano?
¿Que hacer? ¿Donde ir? ¿Que no hacer?
¿Cuanto tiempo debo permanecer en este exquisito pais?
¿Que precauciones tengo que tener para no terminar como la culebra en la boca del aguila?


¡Ay, carajo, Pancho Villa!

Welcome to Tijuana

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A quem interessar possa:

Este blog passa a ser escrito diretamente da Praça dos Jacarandás, 15 / ap. 304, no aprazível bairro do Jardim Botânico, na cidade do Rio de Janeiro.



Sejam bem-vindos!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Esmiuçando a rota para a América Central

Recapitulando:

Em 22/02/2010, 53 dias após o início da viagem, deixo a América do Sul rumo à Cidade do Panamá e seu lendário Canal.

O canal do Panamá é uma das mais complexas obras de engenharia já realizadas, possibilitando uma rápida passagem entre os oceanos Atlântico e Pacífico. A primeira tentativa de realizar a passagem por terra foi iniciada pelos franceses em 1880, motivados pelo sucesso da construção do Canal de Suez, no Egito. Treze anos depois, em 1893, os franceses desistiram da empreitada. Além de dificuldades naturais como o fato do nível do mar ser mais baixo no Caribe do que no Pacífico e, consequentemente ter que ser nivelado através de um complexo sistema de comportas, a malária e a febre amarela dizimaram grande parte da equipe francesa, causando quase 22 mil mortes no período.



Em 1904 o presidente americano Theodore Roosevelt comprou por 40 milhões de dólares os equipamentos e as escavações francesas retomando a obra que só foi concluída em 1914, tendo consumido mais oito mil vidas, alcançando a marca de 30 mil operários mortos.




O Canal do Panamá foi oficialmente inaugurado em 15 de agosto de 1914.
Este rasgo na terra com 77 km de extensão, possibilitou que a distância naval entre Nova York e San Francisco, inicialmente de 22.500 km, fosse reduzida para 9.500 km.
Antes do Canal a passagem do Atlântico ao Pacífico só era possível através do tempestuoso Cabo Horn, no extremo sul da América do Sul.

Bem, vamos em frente.

Na quarta-feira, 24/01, deixo a Cidade do Panamá rumo à Kingston, Jamaica,


para cinco dias de Reggae e Ganja.

Stir It Up!!!



Na segunda-feira, primeiro de março, parto para Havana, Cuba.



Como estará Cuba daqui há um ano?

Será que El Comandante já terá batido as botas?



Especulações à parte, fico uma semana em Cuba e parto no domingo, 07/03 para a Cidade da Guatemala, minha última parada na América Central.

A maior atração da Guatemala é a cidade maia de Tikal, distante uma hora de voo da capital.



Tikal é um bem preservado complexo de pirâmides e templos, incrustado na selva guatemalteca.



Apenas uma pequena parte do sítio arqueológico foi escavada desde sua descoberta em 1848, revelando estruturas como o Templo do Jaguar (acima),


e o Templo das Máscaras, entre outros.

Na quinta-feira, 11 de março - no septuagésimo dia desde a partida - deixo a Guatemala rumo ao México, encerrando a etapa Centro Americana desta viagem.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Primeiro estudo de uma rota para a América Central

Após uma série de posts um tanto quanto emotivos, voltamos ao que interessa, nossa Rota com R maiúsculo!

Já passamos pela América do Sul e vamos subindo pela América Central.

Sempre com o pensamento nos meses subseqüentes - sim, isso aqui é construído sobre a solidez de 365 dominós enfileirados- temos que ser deveras econômicos nesta tripa, quase um baço, que é a Centro América acrescida das ilhas do Caribe, sob pena de comprometer o trajeto lá na frente de forma irremediável.



Começamos pelo Panamá, que além de seu famoso Canal, tem importância estratégica ao ser o principal "hub" para os países da região, através da Copa Airlines que voa para vários destinos na América Central e Caribe.

Sendo assim nossa rota inicia-se pelo Panamá, passando pela Jamaica, por Cuba e pela Guatemala, antes de prosseguir para cima, adentrando a América do Norte pelo México. Um país que está de fora mas fica martelando minha cabeça, querendo entrar, é o Haiti.

Como está escrito no título, este é um primeiro estudo. Muita coisa ainda pode mudar.

De qualquer forma, amanhã apresentaremos em detalhes esta rota para a América Central.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

"Se você tem mais medo da mudança do que da desgraça, você não impede a desgraça"

A frase acima está na peça "Andorra", escrita pelo dramaturgo suíço Max Frisch em 1961.

Nunca assiti ou li "Andorra", mas conheço a frase há muitos anos, sempre citada por meu tio Antonio.

Neste momento em que mudo de casa e, de certa forma, mudo também os rumos de minha vida em função deste projeto de viagem, penso muito nela (a frase).

Falando em pensar, acabei de ler o livro "Tudo o que você pensa, pense ao contrário", de Paul Arden. O livro enaltece o risco, a insensatez, mostra como tomar uma má decisão pode ser um benefício na vida.

Uma vida estranha, meio aventureira, sem nenhuma segurança. O que fazer se essa é a sua vida?

Há poucos dias mostrei esse blog para a minha mãe, uma pessoa realmente sensível e inteligente. Ela ficou interessada, até por gostar muito de viajar e conhecer uma boa porção deste mundo.
Mas ela também ficou apreensiva. Perguntou como eu ia fazer para planejar tudo, arrumar dinheiro, etc.

Eu falei que ia dar um jeito.
Ela falou "deus te ajude, meu filho".
Mãe é mãe...


sábado, 31 de janeiro de 2009

Das consequências de abolir as ressalvas

O projeto que motiva este blog é bastante objetivo: fazer uma viagem de volta ao mundo com 365 dias de duração iniciada no primeiro dia de 2010. Apesar de toda a incerteza quanto à viabilidade econômica da empreitada, descobri, de forma empírica, que teria que viver o presente como um futuro real, em um dia a dia pautado pela data fatídica de minha partida.
Vivo dentro de uma espécie de futuro do pretérito sem condicional, onde tive que abolir toda e qualquer ressalva quanto à concretização deste projeto, sob pena de ficar louco.
Um exemplo: estou de mudança, esta semana, para um apartamento alugado. Diferentemente do prazo padrão de 30 meses de duração, o contrato que acordei com a proprietária do imóvel termina, impreterivelmente, no dia 31 de dezembro de 2009.
Projetos e possibilidades de trabalho para 2010 não poderão ser aceitos, assim como possíveis envolvimentos afetivos terão que prever - para dizer o mínimo - uma longa interrupção com data marcada.

É um caminho sem volta.



Hoje este blog completa um mês de existência. Eu tinha a meta de escrever aqui diariamente, pelo menos neste mês de janeiro. Aos trancos e barrancos, alternando posts com uma razoável quantidade de trabalho e pesquisa, com alguns posts meio "mequetrefes", consegui cumprir a meta.
Muito desta motivação vem dos comentários deixados pelos poucos - porém fiéis, leitores deste blog.


Vale a pena ver de novo!
Relato de uma viagem à Costa Oeste dos EUA - capítulo final

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Solidão igual, só a de um deserto, ou de uma foto Polaroid exposta ao sol até a exaustão

Estou na redação de um jornal usando um computador emprestado, de costas para uma infinidade de baias e de gente nessas baias que eu não conheço. Espero um amigo que está terminando seus afazeres. Ele me convidou para beber. Ele tenta terminar o mais rápido possível seu trabalho. Todos aqui parecem compenetrados num mar de monitores, telefones, televisores. Tudo o que se passa no mundo parece passar por aqui. Acabaram de prender um terrorista. Alguém morreu. Um jogador fez um bonito gol. O Obama falou não sei o quê.

Eu estou perdido no meio disso tudo.

Preciso dar uma volta na praça.




Vale a pena ver de novo!
Relato de uma viagem à Costa Oeste dos EUA - capítulo 16

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Livros

Após passar o ano passado inteiro envolvido em um programa de TV, ou seja, um ano inteiro trabalhando como um camelo sem ter tempo para absolutamente nada, muito me agrada a oportunidade de ler e estudar que este projeto está me proporcionando.

Ontem chegou uma encomenda da Amazon, dois livros da Lonely Planet:



Com duas páginas dedicadas a cada um dos 230 países do mundo este "The Travel Book" faz uma síntese entre a abrangência absoluta e a superficialidade. Cada país leva algumas fotos e um texto que enumera as "essential experiences" de cada nação. No Brasil, por exemplo, as experiências essenciais são manjadíssimas: dançar nas Ruas de Salvador no Carnaval; ver um jogo no Maracanã, e por aí vai.
É legal pela magnitude - países como Latvia, Nauru, Tajikistão, Palau e Comoros e Mayotte (esse aí nunca ouvi falar...) têm o mesmo espaço de França, Estados Unidos, Rússia, etc. Existe uma edição em português, mas é muito mais barato comprar na Amazon.
Belo livro para deixar em cima da mesa.



Agora falamos sério. Guia de 1.200 páginas sobre a África.
Abri o livro e tive uma grande decepção. Meu grau vencido me impediu de ler as letrinhas míudas da edição. Fudeu, vou ter que fazer um exame de vista e trocar as lentes. Até a instalação dos novos fundos de garrafa continuo sabendo muito pouco sobre a África.
A velhice é triste...

Além de guias e títulos que são encontrados nas seções de turismo e viagens das livrarias, minha humilde e crescente biblioteca básica para esta viagem conta com livros de outros gêneros. Hoje, por exemplo, comprei "As Cidades Invisíveis", de Italo Calvino, sugestão de uma leitora deste blog. No livro, os relatos fantásticos de Marco Polo para Kublai Khan sobre as inúmeras cidades do império mongol.
Narrativas de expedições e travessias, assim como biografias e um pouco de poesia também estão presentes nesse processo de preparação.

Minha amiga Tissi, moça muito culta e viajada, fez, assim - em menos de dez minutos - uma interessante lista de livros. Tomara que tenham letras grandes...

A Lista de Tissi:
  1. Victoria, de Joseph Conrad. Uma aventura nas ilhas da Indonésia.
  2. O Coração das Trevas (Hearts of Darkness), também de Joseph Conrad. O livro que inspirou "Apocalipse Now".
  3. O Grande Bazar Ferroviário, de Paul Theroux. O relato de uma viagem de trem pela Ásia realizada em 1975, quando o autor sai de Londres e vai até o Vietnã, em diversas linhas diferentes pelo continente asiático.
  4. No Coração da África, de Martin Dugard. As aventuras de Stanley e Livingstone.
  5. Imperium, de Ryszard Kapuscinski. O escritor polonês relata o colapso da União Soviética.
  6. O Estrangeiro, de Albert Camus. Obra prima do atormentado escritor franco-argelino.
  7. O Americano Tranquilo, de Graham Greene. Uma história político-policial ambientada no Vietnã durante a Guerra da Indochina, contra a França (1946-1954)
Outro livro de grande valia para este projeto é "The Practical Nomad", de Edward Hasbrouck, infelizmente não disponível no Brasil.



O autor é um "travel guru", um maluco que fez duas vezes a volta ao mundo. O livro é um manual prático para viajar mundo afora. Não tem dicas de passeios, hotéis ou restaurantes, não fala de países e regiões específicas e sim tergiversa sobre os inúmeros aspectos objetivos de uma longa viagem multicontinental. O volume é divididido em capítulos como documentos, transporte aéreo, transporte terrestre, bagagem, saúde e segurança, entre outros.

Ainda dentro do assunto deste post, hoje eu almocei com um amigo que tem uma editora. Conversamos sobre o livro que pretendo escrever na viagem. Ele achou interessante e tal, mas na hora que eu, sutilmente, comecei a falar sobre um adiantamento, o viado do garçom trouxe a conta e acabamos mudando de assunto. Pelo menos ele pagou o almoço.
Pode ser um bom sinal...


Vale a pena ver de novo!
Relato de uma viagem à Costa Oeste dos EUA - capítulo 15

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Exaustão

Estou exausto.

A exaustão física é, notadamente, uma infalível companheira em uma viagem longa e complexa como a que pretendo fazer.

365 dias de aeroportos, aviões, atrasos, hotéis, trens, barcos, ônibus, caminhadas, bolhas nos pés, altitude, calor e frio extremos, bagagens, bagagens extraviadas, check-in, check-out, ansiedade, excitação, solidão.

365 dias trabalhando sem parar, sendo produtor de mim mesmo, fotografando, filmando, editando e escrevendo.

365 dias chegando e partindo, deixando para trás - quiçá para sempre, pessoas e lugares. E avançando rumo à novas pessoas e lugares que, por sua vez, também serão deixadas para trás em um motocontínuo de euforia e perdas com a exata duração de um ano.

Ir vendo e vivendo, documentando e contando simultanea e ininterruptamente uma mui intensa experiência pessoal à medida em que ela acontece.

Posso ficar louco.


Vale a pena ver de novo!
Relato de uma viagem à Costa Oeste dos EUA - capítulo 14

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O mundo de Maria

Hoje, pela primeira vez, este espaço será cedido para outra pessoa.
Maria - quase dez anos, vai escrever sobre os lugares que ela quer conhecer.
Eu já viajei com ela para Buenos Aires, onde largamos todo mundo e fizemos vários passeios, incluindo o sensacional Zoológico da cidade.

Foi a primeira vez que Maria saiu do Brasil. Ela tinha cinco anos.



"Oi pessoal, eu adorei viajar para Buenos Aires, dei comida para o camelo...



para o lobo marinho...



fui a bares e muito mais.



A outra viagem que fiz pra fora do Brasil foi no ano passado quando eu tinha nove anos, com o meu pai Daniel, a namorada dele Bebel e os meus meio-irmãos, a Duda e o Gabriel, para a Disney. Nós fomos a oito parques muito legais, fomos também a um circo e muitos restaurantes.

Eu adoraria viajar para o mundo todo e conhecer principalmente a França, Nova York, Los Angeles, Itália, Japão, Barcelona, a África e o Egito.

Estou combinando de encontrar o Samir em algum lugar da viagem dele."




Vale a pena ver de novo!
Relato de uma viagem à Costa Oeste dos EUA - capítulo 13